Proteína da Covid-19 é capaz de se acoplar nas células neurais e prejudicar a memória

Neurocientista Prof. Dr. Fabiano de Abreu investiga a relação entre o vírus e problemas de memória

Meu estudo publicado na Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, analisa como o coronavírus age nas células neurais e o impacto prejudicial na memória dos pacientes. É importante destacar, que a dificuldade de memorização está entre as sequelas mais relatadas por pacientes infectados pela Covid-19.


O tecido nervoso é responsável por diversas funções do organismo, como coordenar as atividades de diferentes órgãos. Esse tecido é composto, principalmente, por neurônios e células da glia, um conjunto de vários tipos celulares, cujo as células principais são os astrócitos, oligodendrócitos, micróglias e ependimócitos.


Quando se fala em sistema nervoso, é muito comum as pessoas lembrarem apenas dos neurônios, que estão diretamente relacionados com os impulsos nervosos. Todavia, as chamadas ‘células da glia’ (ou neuróglia) desempenham funções primordiais para a manutenção do corpo humano e merecem maior relevância no âmbito de pesquisas científicas.


Os astrócitos são células da neuróglia que apresentam um formato estrelado devido aos seus prolongamentos. Eles desenvolvem uma grande diversidade de funções, como a sustentação, controle da composição iônica e molecular do ambiente onde estão localizados os neurônios, transferência de substâncias para os neurônios, resposta a sinais químicos, dentre outras atividades.


O objetivo da minha pesquisa é responder como o coronavírus impacta nesses tecidos celulares e quais são as consequências para a memória do paciente, já que a dificuldade de memorização está entre as sequelas mais relatadas por pacientes infectados pela Covid-19. De acordo com os resultados do meu estudo, pude averiguar que o coronavírus afeta significativamente os astrócitos. Uma das consequências são danos na memória da pessoa após a contaminação pela doença.


É um assunto que chama a atenção, pois trata-se de mais uma sequela que a Covid-19 pode deixar na humanidade. Isso prova que é preciso mais do que nunca encontrar meios eficazes para controlar o vírus, porque a sociedade corre o risco de sofrer com problemas de memorização após superar esta doença. Essa evidência é preocupante, porque ela se soma a outros fatores que indicam a redução do desempenho neurológico e inteligência das pessoas, tais como o uso excessivo de redes sociais.


PhD, neurocientista, mestre psicanalista, biólogo, historiador, antropólogo, com formações também em neuropsicologia, psicologia, neurolinguística, neuroplasticidade, inteligência artificial, neurociência aplicada à aprendizagem, filosofia, jornalismo e formação profissional em nutrição clínica – Diretor do Centro de Pesquisas e Análises Heráclito; Chefe do Departamento de Ciências e Tecnologia da Logos University International, UniLogos; Membro da Federação Européia de Neurociências e da Sociedade Brasileira e Portuguesa de Neurociências. Universidades em destaque: Logos University International, UniLogos, Nova de Lisboa, Faveni, edX Harvard, Universidad de Madrid.

 

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