Fundação Gabo oferece bolsas de até R$ 33,7 mil para investigações sobre efeitos das drogas na sociedade

Podem se candidatar jornalistas empregados em veículos de qualquer tamanho ou freelancers

O Fundo para Investigações e Novas Narrativas sobre Drogas (FINND), uma aliança entre a Fundação Gabo e a organização americana Open Society Foundations (OSF), está oferecendo 18 bolsas para jornalistas de sete países, incluindo o Brasil. 

Os escolhidos receberão até US$ 6 mil (R$ 33,7 mil) para desenvolver conteúdo analisando a intersecção entre drogas ilícitas e direitos humanos, meio ambiente, saúde pública, violência, juventude e gênero e políticas públicas. 

Além de ser um problema social, o narcotráfico vem afetando a liberdade de imprensa no mundo, com casos como o do jornalista investigativo holandês Peter De Vries, assassinado no centro de Amsterdã supostamente a mando do maior traficante do país, e o do México, onde o número de profissionais de imprensa mortos por facções criminosas cresce sem parar.

Bolsa para jornalistas freelances ou empregados em organizações de mídia

Este é o terceiro ano em que a bolsa é oferecida, beneficiando profissionais da Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, México, Paraguai e Peru. 

A oportunidade é aberta a freelancers ou jornalistas que trabalhem em organizações de mídia de qualquer tamanho, incluindo veículos regionais e comunitários. São aceitas inscrições individuais ou coletivas, designando-se um responsável principal pelo projeto.

Os trabalhos podem ser em formato jornalístico tradicional (texto, vídeo, áudio, fotografia ou multimídia) ou em sátira, storytelling e até histórias em quadrinhos. As inscrições terminam em 20 de janeiro. 

Segundo a Fundação Gabo, serão priorizadas as propostas que também abordem o impacto da Covid-19 na análise.

Não serão consideradas para a concessão da bolsa propostas de narrativas tradicionais sobre drogas, como historiografia criminal, perfis de narcotraficantes, pistas de pouso do narcotráfico, reportagens judiciais e trabalhos que reproduzam estereótipos e lugares comuns sobre o tema, segundo o edital. 

A equipe acadêmica do FINND decidirá o valor da dotação para cada projeto escolhido com base no conteúdo da proposta, no orçamento apresentado e no enfoque da investigação.

O valor da bolsa para jornalistas pode ser utilizado na remuneração dos envolvidos e em aquisição de materiais ou equipamentos até o valor de US$ 2 mil. 

Como se inscrever na bolsa de jornalismo

As propostas devem ser submetidas por meio de um  formulário de inscrição disponível no site da Fundação Gabo.

Os candidatos precisam apresentar biografia enfatizando sua experiência jornalística, motivação para receber a bolsa e um projeto detalhado do trabalho a ser executado.

A proposta deve incluir a linha temática, justificativa, orçamento estimado em dólares, cronograma, formato do produto final, estratégia de divulgação e uma lista representativa de pessoas e instituições a serem consultadas ou entrevistadas.

A Fundação pede ainda que sejam anexados dois trabalhos de investigação jornalística que tenham sido publicados no último ano e carta do editor confirmando compromisso de veicular o trabalho realizado com a bolsa. Freelances que não tiverem compromisso de publicação de uma mídia receberão apoio do FINND na busca de mídias interessadas, caso sejam selecionados.

Temas sociais, jurídicos e de saúde

O conteúdo produzido com a ajuda da bolsa para jornalistas da Fundação Gabo deve se enquadrar nas seguintes linhas temáticas:

● Saúde pública: inovação no campo de investigações científicas, aplicações farmacêuticas, atendimento a usuários de drogas, usos nutricionais e desafios gerados pela crise da Covid-19.

 Meio ambiente: impactos ambientais da guerra contra as drogas, como desmatamento e poluição.

● Marcos regulatórios e normativos: mudanças da legislação e seus impactos sobre produtores, usuários e economias ilícitas. Análises de marcos regulatórios e as possibilidades de desenvolvimento de indústrias em torno do  uso das plantas tradicionalmente processadas para a produção de drogas ilícitas para outros fins. 

● Direitos humanos: impactos sociais das políticas antidrogas, vulnerabilidade das minorias, mercados urbanos, prisões, repressão e militarização, a governança e a política do narcotráfico. Os efeitos da pandemia da Covid-19 como agravantes e facilitadores em violações dos direitos humanos e a erosão do estado social de direito em contextos relacionados com as drogas.

● Gênero: histórias de empoderamento e gestão feminina em contextos relacionados com as drogas. Desigualdades de gênero e violência contra as mulheres e jovens devido ao problema das drogas e a guerra contra elas.

● Enfoque étnico-cultural: investigações envolvendo os usos tradicionais ou nutricionais que grupos indígenas ou comunidades ancestrais dão a algumas plantas com potencial uso ilícito. Impactos sociais e ambientais da guerra contra as drogas em territórios étnicos.

● Dimensão rural: plantações declaradas ilícitas, comunidades dependentes da produção de matérias-primas para a fabricação de drogas, desenvolvimento territorial, economias ilícitas, impactos da erradicação forçada. Efeitos da pandemia da Covid-19 no contexto rural associado ao mercado de drogas ilícitas.

Categorias

Independentemente do tema, os candidatos devem escolher uma categoria para sua proposta dentro das seguintes possibilidades:

Jornalismo investigativo: o trabalho inscrito deve conter uma hipótese e proposta de investigação e um plano para desenvolver o tema em texto, jornalismo sonoro (rádio, podcast), vídeo ou novos formatos.

Jornalismo local: esta categoria selecionará propostas jornalísticas em âmbito estadual, municipal e em mídias comunitárias ou regionais.  O projeto inscrito deve focar em dinâmicas que afetam as regiões nas quais vivem e/ou trabalham os jornalistas, sendo priorizados projetos fora das capitais e com um forte componente de jornalismo de soluções.

Jornalismo Inovador: as propostas nesta categoria devem explicar como usarão formatos que ajudem a comunicar os resultados da investigação jornalística de forma inovadora. Alguns exemplos de novos formatos são documentários multimídia, editoriais em vídeo, projetos com componentes de jornalismo colaborativo com o público, sátira jornalística, ‘scrollytelling’ e outros formatos jornalísticos não tradicionais.

Jornalismo colaborativo: projetos que promovam o jornalismo colaborativo serão valorizados pelo júri que vai selecionar os bolsitas, especialmente aqueles que incluam alianças entre jornalistas que trabalhem nas capitais e repórteres e pesquisadores locais, ou membros da mídia comunitária ou regional.

Bolsa para jornalistas inclui também treinamento e mentoria 

Os bolsistas escolhidos participarão de um workshop da Fundação Gabo sobre drogas, que acontecerá em março. Eles deverão apresentar seus projetos, poderão tirar dúvidas e aprender com convidados especialistas que fornecerão ferramentas para desenvolver investigação sobre temas de drogas a partir de uma nova narrativa que deixe de lado os estereótipos envolvidos no tema. 

Haverá ainda mentoria durante três meses, entre abril e junho. Os participantes farão reuniões com tutores designados de acordo com sua linha temática ou formato para receber orientação no desenvolvimento do conteúdo.

Fonte: Midia Talks

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